Lambendo feridas
...o Primeiro Grupo de Aviação Embarcada com feridas a lamber, depois do acidente com o 7031, em 27AGO84. Acredito que os quatro gentis cavalheiros, a ESQ, na foto colorida, sejam os tripulantes envolvidos com o sinistro. O Ten. Aquino, que aparece a DIR, era o OSP (Oficial Sinalizador de Pouso; LSO para a USN) de serviço; o "livrinho" na sua mão (na primeira foto) o denuncia. Naqueles livros se faziam as anotações referentes a cada recolhimento, por onde se podia detectar as tendências de cada piloto, na intenção de trabalhar, individualmente, os eventuais desvios, que pudessem afastar os pilotos dos padrões de segurança e operacionalidade requeridos.
Para os homens, nas unidades aéreas, é muito difícil perceber, em profundidade, as linhas de ação e as intenções da administração institucional. Eles podem, apenas, suportar as consequências que derivam daquelas ações administrativas. Anos depois, num comentário na página do 1º GAE no Facebook, o então Tenente Aquino relembrava: "...Foi uma época difícil! Diz a lenda que havia dificuldades para comprar cubos (das rodas) originais, e a FAB
encomendou uma remessa de rodas na mesma fábrica que fazia rodas tala-larga pra Fuscão, eram as famosas 'rodas gaúchas'. Depois de três acidentes graves com quebra do cubo de roda e consequente parada
brusca de motor (num deles com arremetida mono-motor), a FAB voltou a
encomendar as rodas originais."[2]
Pois no caso em pauta, do acidente do 7031 de 27AGO84, embora o objeto da pane não tenha sido um cubo de roda defeituoso, a natureza do problema era o mesmo: chegaram à unidade, pernas de força do trem de pouso, não só usados, mas fora das especificações! Não poderiam aguentar os esforços a que eram submetidos os nossos P-16, durante os pousos a bordo. A próxima foto expõe a incrível fratura do equipamento, que interrompeu o que deveria ter sido apenas mais um pouso de rotina.
O então Sargento Moacir, Especialista em Sistemas Hidráulicos, embora não estivesse a bordo, guarda na memória ter participado dos reparos de emergência que o 7031 recebeu, depois de retirado do Minas Gerais: "...participei do apronto da aeronave [...] no arsenal de
Marinha. O fato causou perplexidade. Como esse avião veio aparecer aqui?
Indagavam alguns curiosos. Pois o local não era apropriado. Um avião
estacionado na beira do cais. Mas, tudo bem. Fizemos o reparo e o levamos para
o Santos Dumont. A aeronave voou novamente. Final feliz."[3]
O Sargento Vargas, outro 'hidraulista', estava a bordo do Minas Gerais, mas envolveu-se nos trabalhos de recuperação em terra, e relembra: "A aeronave foi
para o SDU (Aeroporto Santos-Dumont). Trabalhei na sua recuperação. Os danos foram maiores na retirada do
navio do que no acidente. Os cabos de aço da cábrea danificaram os bordos de
ataque, e o sistema anti-congelante foi retirado.
Um dos pilotos do Grupo (mais tarde, o último comandante da unidade a leva-la para o mar), o Coronel Souza Lima, registrou no grupo da Embarcada no FB, em FEV deste ano, que o 7031 "...decolou de RJ (Aeroporto Santos-Dumont, no Rio) para MT (Campo de Marte, SP) sem recolher o trem. Fez o reparo no PAMA-SP (Parque de Material Aeronáutico), e reembarcou antes do final da missão! Foi um record!"[1]
Ainda a bordo do Minas Gerais, Da ESQ para a DIR, os Sargentos Herculano, J. Augusto, Capitão Rikils, Tenentes Haiki e Aquino. |
Pois no caso em pauta, do acidente do 7031 de 27AGO84, embora o objeto da pane não tenha sido um cubo de roda defeituoso, a natureza do problema era o mesmo: chegaram à unidade, pernas de força do trem de pouso, não só usados, mas fora das especificações! Não poderiam aguentar os esforços a que eram submetidos os nossos P-16, durante os pousos a bordo. A próxima foto expõe a incrível fratura do equipamento, que interrompeu o que deveria ter sido apenas mais um pouso de rotina.
O 7031, já sobre o macaco, no "Cais do Minas", no AMRJ, prestes a ter o trem de pouso quebrado substituído por uma outra unidade. |
O avião sendo retirado por uma cábrea, do "Cais do Minas", no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, na Ilha das Cobras, para ser conduzido ao aeroporto Santos Dumond. |
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