O problema que é, um problema congênito.

A operação dos elevadores centrais impede as operações aéreas e, por sua vez, as operações aéreas impedem o seu uso; o diabo é que os navios da classe Colossus, operados pelas marinhas da Argentina (2), Austrália (3), Brasil (1, o Minas Gerais, Ex HMS Vengeance), Canadá (2), França (1), Holanda (1) e Índia (1), tinham dois elevadores deste tipo, e ninguém encarou o custo e o desafio de engenharia de tirá-los de onde estavam. De toda a maneira, não apenas os Colossus que serviram à marinhas estrangeiras, mas mesmo os navios desta classe operados pela Royal Navy durante a década de 1950, que não foram modernizados/reconstruídos, ainda tinham que lidar com o problema adicional dos cabos de parada estarem posicionados sobre o elevador de ré.
O potencial de encrenca que o arranjo trazia consigo fica evidente na foto P&B, no topo do artigo. Nela aparece um helicóptero inglês da Fleet Air Arm com o nariz amassado pelo recuo inadvertido de um dos ditos cabos; evidentemente que alguma coisa deu errado, "deu pau", no jargão marinheiro. Infelizmente eu não sei de onde tirei essa foto. Eu desconheço qualquer incidente desta natureza a bordo do Minas Gerais, contudo. Por certo que os homens do Primeiro Grupo de Aviação Embarcada, que frequentaram o convés de voo do velho "Mingão", operacionalmente, entre 1965 e 1996, lembram que quando era necessário utilizar a plataforma de ré, o pessoal de Marinha tinha que executar, com a força de dois, ou mais, tratores de reboque, a faina de distender os cabos cinco e seis para diante, fora da área do elevador, e travá-los com pinos colocados em aberturas no convés.
Uma foto que eu tirei dos tratores de reboque que o Minas embarcava, enquanto puxavam um dos cabos de parada numa das inspeções diárias do equipamento, entre os dias 14 e 22AGO89. A cena seria a mesma, no caso da liberação da plataforma de ré.
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No caso do Minas, os ciclos pouso/decolagem eram bastante espaçados, pela natureza da missão ASW, que mantém os aviões longas horas afastado do navio, dando tempo para operar os elevadores à vontade. Houvesse o Minas, contudo, operado um Grupo Aéreo mais numeroso, talvez, com jatos, os elevadores centrais poderiam ter sido, de fato, um complicador. Nada obstante, mesmo os porta-aviões ingleses do pós Segunda Guerra Mundial, operaram Grupos Aéreos numerosos, com jatos, sem contar com as facilidades dos elevadores laterais, mesmo o Ark Royal R09, com os Phantoms. Problemas congênitos são assim mesmo; já que nascemos com eles, vamos nos adaptando...
Gostaria de saber se, assim como na US Navy, os pilotos do GAE tinham o cabo ideal de enganche ( no caso dos EUA é o cabo numero 3) ainda mais sabendo que o NAeL possuía 6 cabos de parada. Parabéns pelo artigo. Muito interessante.
ResponderExcluir....companheiro, de fato, aqui se seguia o protocolo da USN, conforme "check" com um dos pilotos, o Cel. Walkyr. Valia o cabo #3. Eu já havia lido sobre isto, mas não quis te responder sem confirmar. Muito obrigado pelo elogio, e pelo interesse na nossa unidade...
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